Desta vez vou abordar um tema legal pra quem é iniciante no Rails ou em testes, TDD e RSpec.

As vezes é complicado entender pra que serve e o motivo de se manter uma rotina de testes em uma aplicação, principalmente quando você testa na tela e vê que tudo está funcionando como você espera.

Mas como o Professor Maurício Aniche justifica, automatizar os testes da sua aplicação reduz o custo da mesma, por se tratar de testes feitos pela máquina e não por você, sempre que quiser saber se alguma funcionalidade do seu sistema está funcionando da forma desejada.

Mas o que é TDD ?

Test-Driven Development (TDD) ou Desenvolvimento Orientado a Testes de forma resumida é uma metodologia que visa cobrir toda ou boa parte de um sistema por testes e garantir o funcionamento correto de cada escopo definido em cada teste, o que traz qualidade ao que foi “escrito” através da Refatoração, que é uma das fases especificadas para a prática do TDD. E não menos importante é a documentação do código, já que faz parte da prática do TDD especificar cada teste e o valor esperado para cada um.

Isso é um resumo do resumo, se quiser entender melhor sobre TDD, segue o link do site do professor Maurício Aniche. TDD

O que é RSpec e pra que serve ?

Também de forma bem resumida, RSpec é uma biblioteca (gem) que facilita a prática de testes em aplicações Ruby ou Rails, oferecendo uma sintaxe de fácil compreensão e uma gigante quantidade de opções pra escrever e executar testes em uma aplicação.

Observação importante

Praticamente todas as referências que li ou assisti falam da importância de se ter um bom conhecimento de programação e orientação a objetos pra escrever testes de forma coeza e que simplesmente auxilie a manter um código de boa qualidade, até porque se fosse pra atrapalhar não faria sentido estudar sobre isso. :D

Então, vou criar uma aplicação simples e também tentar escrever alguns testes simples pra começar, talvez futuramente volte a escrever mais sobre isso com testes mais complexos.

Go to the terminal.

$ rails new testsapp
$ cd testapp

Abra o arquivo Gemfile e adicione o rspec.

gem "rspec-rails", "~> 3.1.0"
$ bundle install

Pra inicializar o diretório do rspec, execute o install.

$ rails generate rspec:install

Agora pode ser observado no projeto a pasta spec e sua estrutura, que ainda conta com os arquivos rails_helper.rb e spec_helper.rb.

Vou utilizar um escopo parecido com o do livro da EveryDayRails que particularmente considero uma ótima leitura inicial pra quem quer entrar no mundo de testes automatizados com RSpec no Rails.

Vamos gerar um scaffold pra que seja nossa base pra criação dos testes, vou utilizar um model chamado User.

$ rails generate scaffold User firstname lastname email
$ rake db:migrate

Agora podemos começar a criar nossos testes.

Obs: O método correto para prática do TDD é criar o teste antes de criar nosso model, rodar o teste e garantir que o mesmo está quebrado, essa é uma das especificações do TDD, no qual o teste tem de ser escrito antes do código, mas já que o RSpec gera nosso spec junto com o model, vamos fugir um pouco disso e focar nos testes, mas aconselho que sigam o fluxo correto.

Dentro da pasta spec, existe uma outra pasta chamada models, dentro dela deverá existir um arquivo ruby chamado user_spec.rb, é nesse arquivo que escreveremos os testes para nosso model, testes de controller não serão abordados nesse texto, talvez futuramente. :)

Abra o arquivo, ele deverá estar da seguinte forma:

require 'rails_helper' 
  RSpec.describe User, :type => :model do 
  pending "add some examples to (or delete) #{__FILE__}" 
end

Podemos deixar da seguinte forma, não irá alterar no resultado que esperamos:

require 'rails_helper' 

describe User do 
  pending "add some examples to (or delete) #{__FILE__}" 
end

Fica bem mais intuitivo e fácil de entender.

Pra criar alguns testes simples de validação, vamos colocar algumas validações em nosso user.rb em app/models/.

class User < ActiveRecord::Base 
  validates :firstname, presence: true 
  validates :lastname, presence: true 
  validates :email, presence: true, uniqueness: true 
end

Essas validações tornam obrigatórias as presenças de nossos 3 campos e a unicidade do campo e-mail.

Voltando ao nosso user_spec.rb podemos descrever os testes que queremos criar utilizando o bloco it, de início vou descrever 2 e também vou deixar em PT-BR a descrição dos testes pra ajudar no entendimento, mas deixem em inglês quando fizerem os seus, até pra praticar o “English”.

require 'rails_helper' 

describe User do 
  it "é válido quando contém o primeiro nome, último nome e email" 
  it "não é válido quando o primeiro nome é nulo" 
end

Se executarmos nosso teste através do comando:

$ rspec spec/models/user_spec.rb

Esse é o resultado que esperamos, porque nada foi implementado ainda nos testes, então vamos deixar o primeiro teste da seguinte forma e executar novamente:

describe User do 

  it "é válido quando nome, último nome e email estão presentes" do 
    user = User.new( firstname: 'Bruce', 
    lastname: 'Dickinson', 
    email: 'bruce@ironmaiden.com' ) 

    expect(user).to be_valid 
  end 
end

Estamos criando um novo objeto do tipo User e atribuindo os valores ao firstname, lastname e ao email. Um padrão aconselhado e muito utilizado para escrever testes é o Arrange Act Assert (AAA), traduzindo ao pé da letra seria “Organizar, Agir e Afirmar”.

  • (1) Organize todas as condições e entradas.

  • (2) Aja no objeto ou método sob o teste.

  • (3) Afirme que o resultado esperado aconteceu.

Leia mais em -> Arrange Act Assert

Execute novamente:

$ rspec spec/models/user_spec.rb.

Agora, o teste passa e a mensagem de retorno indica que apenas o segundo teste continua pendente, vamos implementa-lo também.

describe User do 

  it "é invalido sem o primeiro nome" do 
    user = User.new(firstname: nil) 
    user.valid?   
    expect(user.errors[:firstname]).to include("can't be blank") 
  end 
end

Diferente do primeiro teste, este segundo “afirma” uma advertência ao final, no método expect estamos indicado que o resultado caso o firstname seja nulo é o aviso de validação “can’t be blank” ou “não pode ser nulo”.

No primeiro teste esperávamos que tudo ocorresse bem quando o usuário digite todos os campos de forma correta, agora estamos tratando um caso em que isso não ocorra.

Após a criação do objeto, perguntamos ao Rails se o objeto é válido através do método valid? e criamos nossa expect trazendo o alerta (user.errors) no campo firstname e a mensagem que deve ser gerada caso ocorra.

Agora um último teste aproveitando que estamos validando o campo email e informando ao sistema que não podem existir dois usuários com a mesma conta de e-mail.

Da mesma forma que os outros, começamos pelo bloco it com o comentário sobre o código e seguindo nosso formato AAA.

describe User do 

  it "é inválido caso já exista um e-mail igual" do 
    user = User.create( firstname: 'Steve', 
    lastname: 'Harris', email: 'contato@ironmaiden.com' ) 
    user = User.new( firstname: 'Bruce', 
    lastname: 'Dickinson', email: 'contato@ironmaiden.com' ) 
    user.valid? 
    expect(user.errors[:email]).to include('has already been taken')
  end 
end

E mais uma vez executando:

$ rspec spec/models/user_spec.rb.

Os 3 testes passam. Se alterarmos a expect to para not_to, que espera o inverso do outro resultado, podemos validar se o teste realmente está fazendo o que queremos.

describe User do 

  it "é inválido caso já exista um e-mail igual" do 
    user = User.create( firstname: 'Steve', 
    lastname: 'Harris', email: 'contato@ironmaiden.com' ) 
    user = User.new( firstname: 'Bruce', 
    lastname: 'Dickinson', email: 'contato@ironmaiden.com' )
    user.valid? 
    expect(user.errors[:email]).not_to include('has already been taken') 
  end 
end

Agora ele falha, o que nos garante que realmente está sendo validado aquilo que queremos e que nosso teste está nos auxiliando a criar uma situação real que pode acontecer no nosso sistema.

É interessante que seja estudado mais intensamente as expectations e os tipos que o RSpec oferece pra que a prática do TDD possa cobrir uma gama maior de código, aumentando a qualidade do código, garantindo que esteja funcional.

Pra começar no mundo dos testes, ta valendo !

É isso ai, até a próxima.

Agradecimentos ao mestre @jacksonpires que me indicou o TDD para estudos.

Originally published at anchietajunior.github.io on November 4, 2015.